Saiba como conhecer dois ou mais destinos usando a mesma quantidade de milhas

Você tem vontade de conhecer um montão de lugares. Já até fez uma lista pra não esquecer de nenhum. Há um tempo você está juntando milhas e muito em breve poderá escolher um desses destinos para riscar da sua lista. Maravilha!

Agora eu te pergunto: e se você puder riscar mais de um lugar usando a mesma quantidade de milhas? Isso mesmo, é o famoso “matar dois coelhos com uma cajadada só”!

Pra chegar lá você pode usar dois conceitos muito simples, conhecidos dos profissionais do turismo mas pouco usado pela maioria das pessoas: stopover e open jaws.

Lá no fim desse post, você vai encontrar uma tática que vai mudar a forma como você monta os seus itinerários de viagem.

ENJOY!!!

O que é umstopover?

  • Stopovers são escalas com mais do que 24 horas.
  • Stopovers podem durar o tempo que você quiser na cidade de conexão.
  • Stopovers são gratuitos nas passagens-prêmio. Ou seja, você não precisa gastar mais milhas pra ter esse benefício (claro, nos programas que permitem stopover).
  • No caso das passagens pagas, os stopovers podem ter um custo extra, normalmente entre USD 100 e USD 300, dependendo da cia aérea.

Essa é a melhor forma de você passar por dois ou mais destinos usando um único bilhete.

Exemplos:

  • Você está indo para Cingapura passar uma semana, mas tem a opção de fazer um stopover em Dubai. Então, você aproveita para ficar duas noites nos Emirados.
  • Seu sonho é ir para as Maldivas. Na hora da reserva você descobre que você pode fazer um stopover na conexão na África do Sul. Você decide ampliar o seu roteiro e fazer mais cinco noites em Johannesburg e Cape Town.

“Então, conta aí, quais programas de milhagem que permitem stopover?”

stopover permitido: Smiles (GOL), Lan Pass (LAN), AAdvantage (American), MileagePlus (United), Victoria (TAP), KrisFlyer (Singapore), Miles & More (Lufthansa e Swiss), Aeroplan (Air Canada), Executive Club (British), Avios (Iberia), Flying Blue (Air France e KLM), Miles & Smiles (Turkish), Clube Premier (AeroMéxico), Skyawards (Emirates) e MilleMiglia (Alitalia).

stopover não permitido: TAM Fidelidade (TAM), Amigo (Avianca), Lifemiles (Avianca e Taca) e Skymiles (Delta).

Cada programa tem políticas e regras que precisam ser observadas. Procure informações detalhadas no site do seu programa ou na central de atendimento.

Dica: No Smiles não é possível emitir ou pesquisar passagens internacionais com stopover pelo site. É necessário entrar em contato pela central de atendimento.

“Só falta você me dizer quais as principais cidades e empresas possíveis para stopover, partindo do Brasil?”

O stopover só é interessante se você voar com as companhias que fazem conexão na cidade que você quer conhecer. Coloco abaixo os principais hubs (centros de conexão) de todas as companhias aéreas que operam no Brasil:

  • Estados Unidos: Miami (American); Nova Iorque (American, Delta, United); Los Angeles (American e Korean); Washington, Chicago e Houston (United); Dallas (American); Atlanta e Detroit (Delta)
  • Europa: Amsterdã (KLM); Barcelona (Singapore*); Frankfurt e Munique (Lufthansa); Lisboa e Porto (TAP); Londres (British); Madri (Ibéria e Air China*); Paris (Air France), Roma (Alitalia); Zurique (Swiss).
  • América do Norte e Central: Cidade do México (Aeroméxico); Cidade do Panamá (Copa); Havana (Cubana); Toronto (Air Canada).
  • América do Sul: Bogotá (Avianca e LAN); Santiago (LAN); Buenos Aires (Aerolíneas); Lima (LAN e Avianca); Assunção e Ciudad del Leste (Tam Mercosul); Cochabamba (BoA); Quito (Tame).
  • África: Casablanca (Royal Air Maroc); Joanesburgo (South African); Adis Abeba e Lomé (Ethiopian); Luanda (TAAG); Praia / Cabo Verde (TACV).
  • Ásia: Abu Dabi (Etihad); Doha (Qatar); Dubai (Emirates); Istambul (Turkish); Pequim (Air China); Singapura (Singapore).

*Barcelona e Madri não são hubs da Singapore e da Air China, respectivamente, mas é possível realizar stopover tendo em vista que os voos fazem escala nessas cidades.

“Tá, e como é que eu faço pra emitir o meu bilhete fazendo stopover”

O stopover deve ser definido no momento da emissão da tua passagem-prêmio.

Primeiro você vai entrar no ITA MATRIX que é um software gratuito do Google onde você pode (e deve) usar para pesquisar todas as opções de cias aéreas e itinerários. Pra dominar o ITA Matrix leia esse post aqui (ele também vai ser muito útil para descobrir boas tarifas quando você quiser COMPRAR passagens aéreas).

Mesmo que você não esteja familiarizado com o Matrix não tem problema por que o que eu vou ensinar aqui é muito simples e eu vou colocar print screens para ilustrar. Bóra!

Primeiro você vai fazer a busca simples (roundtrip) para o seu destino final, sem pensar ainda no stopover.

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O resultado dessa busca já vai te listar todas as cias aéreas que voam pra esse destino e quais oferecem opções de voos com uma ou mais escalas. Aí você tem que ver qual empresa você pode usar as suas milhas e em qual dessas cidades de conexão você gostaria de fazer um stopover (e passar uns dias).

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Digamos que você escolheu a TAP e clicou na alternativa por R$ 4.517 com uma parada. Na próxima tela você vai ter um detalhamento do seu itinerário e vai descobrir que…

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… você pode fazer um stopover na ida em Lisboa ou um na volta no Porto. Ou até mesmo fazer 2 stopovers, basta você entrar em contato com a central de atendimento do seu programa de milhagem e verificar o que fala na regra.

Ahhh… se você quiser ser ainda mais exato e determinar que voos você prefere já considerando um ou mais stopovers nesse itinerário, você pode fazer uma nova pesquisa no ITA Matrix, usando o recurso de Multi-city. Ó só…

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Reparou que agora eu estou já pedindo os trechos em separado? E também já decidi que vou ficar dois dias em Lisboa. Por aí vai, é só clicar no Add another flight e incluir os detalhes da volta Paris/Porto/São Paulo definindo se vou querer ou não stopover também na volta. O software já vai te dar todas as opções de voos da TAP nos dias e horários disponíveis pra você escolher.

Com o seu itinerário mega detalhado com os stopovers definidos você estará pronto para emitir a sua passagem-prêmio pelo site do seu programa de milhagem ou pela central de atendimento.

“E se eu quiser comprar um bilhete, eu posso também fazer stopover?”

Depende. Aí a regra deixa de ser do Programa de Milhagem e passa a ser das companhias aéreas. Elas possuem diferentes políticas. Algumas permitem até 2 Stopovers por bilhete (um na ida e outro na volta), mas isso muda demais. A melhor coisa a fazer é entrar em contato com a empresa e perguntar qual a regra vigente no momento.

IMPORTANTE

Alfândega: atenção para as regras alfandegárias de cada país. Caso tenha interesse em fazer compras (muita gente adora um stopover pra isso nos Estados Unidos, por exemplo), é melhor fazê-lo no último trecho do retorno, pois além de não ter que carregar as compras ao longo da viagem não há risco de ter seus bens taxados ou confiscados durante a viagem.

Trechos intermediários: cumprir seu itinerário é imprescindível. No caso de abandono de conexão ao longo do trajeto o restante do bilhete será cancelado e o prejuízo será grande. Por isso, não pira durante o stopover, senão você vai ter que reemitir o bilhete e arcar com as taxas e diferença de tarifa aplicáveis.

O que é umopen jaw?

Não, isso aqui não tem nada a ver com o filme Tubarão.

Você pode não saber, mas é possível você emitir um bilhete de ida para uma cidade e volta por outra diferente, sem gastar mais milhas por isso (ou pagar mais, caso você esteja comprando esse bilhete). Isso é um “open jaw”.

Exemplos:

  • Você pode fazer um Rio de Janeiro/Los Angeles e depois fazer um Las Vegas/Rio de Janeiro na volta. Nesse caso, você poderá fazer uma viagem super bacana de carro pelo deserto de Los Angeles para Vegas e assim conhecer as duas cidade.
  • Uma muito popular entre nós brasileiros é a dobradinha Miami/Orlando. Geralmente as famílias chegam pelas praias de Miami e depois voltam depois da maratona de parques de Orlando (ou vice-versa).

O “trecho em aberto” são responsabilidade do passageiro e normalmente são “preenchidos” com voos em cias aéreas locais menores (low budget) ou outros transportes (carro, trem ou até helicóptero, se você é um “jetsetter”). Caraca, nessa abusei das aspas!!

A grande vantagem aqui é que um bilhete só de ida (oneway) é sempre caríssimo e por isso que todo mundo costuma só comprar bilhetes de ida e volta (roundtrip). Com o open jaw você tem uma maior liberdade no seu itinerário gastando a mesma quantidade de milhas ou de dinheiro de uma roundtrip. Isso te dá condição de fazer uma viagem de trem de Madrid para Barcelona, ou uma viagem de bike da Suiça para a França. Você cria uma condição especial para a sua viagem onde você está aberto a experimentar mais coisa, ver mais lugares…

“Com quais programas eu consigo usar minhas milhas e fazer open jaw?”

TAM Fidelidade, Amigo e TudoAzul permitem a emissão de passagens internacionais com Open Jaw, bem como emitir a ida ou a volta separadamente, sem custo adicional.

Confira os outros programas de fidelidade que permitem o Open Jaw ou emissão de passagens de ida e volta separadas, a seguir: Smiles (GOL), TAM Fidelidade (TAM), TudoAzul (Azul), Lan Pass (LAN), AAdvantage (American), MileagePlus (United), Lifemiles (Avianca e Taca), Skymiles* (Delta), Victoria (TAP), KrisFlyer (Singapore), Miles & More (Lufthansa e Swiss), Aeroplan (Air Canada), Executive Club (British), Avios (Iberia), Flying Blue (Air France e KLM), Miles & Smiles (Turkish), Clube Premier (AeroMéxico), Skyawards (Emirates) e MilleMiglia (Alitalia).

Cada programa tem políticas e regras que precisam ser observadas. Procure informações detalhadas no site do seu programa ou na central de atendimento.

Mega open jaws: Dependendo da cia aérea que você está usando as milhas, o open jaw pode ser maior do que você imagina.

Por exemplo, existem algumas empresas que eu posso voar até a Europa e depois voltar para o Brasil saindo da Índia. Ouch!!!!

“Beleza! E como eu faço pra emitir um bilhete com open jaw?”

A forma de pesquisar, reservar e emitir é igualzinha a do stopover. Faz a pesquisa lá e é só abrir mão do trecho que você prefere deixar em aberto.

Na hora de emitir, a dica para ter certeza de que você não gastará mais milhas por causa do open jaw é verificar se estão te pedindo a mesma quantidade de milhas da passagem normal de ida e volta para uma mesma cidade de origem e destino.

Se você for comprar a passagem também. Fica ligado pra ver se o valor que você está pagando na reserva open jaw está igual ou parecida à tarifa da passagem normal (roundtrip). Atenção: pode ser que nesse caso tenha um pequeno acréscimo no preço final da passagem em função de diferenças nas taxas aeroportuárias, ou nas tarifas.

IMPORTANTE

Itinerário: Caso você compre seu trecho intermediário (em aberto) com outra empresa ou utilize outro meio de transporte (trem, carro etc.), fique atento ao horário de check in, de embarque. Não vacile e nunca deixe de cumprir seu itinerário. No caso de abandono de algum voo ao longo do trajeto o restante do bilhete e você já sabe a m… que vai dar.

Voos de outras empresas: Problemas em voos e conexões com bilhetes emitidos separadamente, em outras empresas aéreas, não são honrados. Resumindo, se o tiver viagens intermediárias para pegar seu voo de retorno, considere sempre uma margem de segurança de pelo menos 4h entre um voo e outro, para haver tempo de pegar malas, fazer novo check in, bem como para eventuais atrasos e imprevistos.

Dá pra fazer umstopover e um open jawno mesmo bilhete?

Claro! É justamente aí que as coisas começam a ficar mais divertidas. Quando você começa a usar a sua criatividade e brincar com as brechas e possibilidade que essas empresas aéreas nos dão.

Imagina comigo: Você pode fazer um São Paulo/Roma/Paris com stopover em Roma e depois fazer um Londres/São Paulo.

Reparou que existe uma open jaw aí nesse itinerário?

A gente vai pra Paris (com stopover em Roma) e depois volta de Londres. Ou seja, você vai conhecer três capitais europeias e tudo mais que você tiver vontade ver entre a chegada em Paris e a partida de Londres, sem gastar nem uma milha a mais por isso! WOW!!!!!

Na próxima vez que você for montar um itinerário de viagem lembre-se: OTIMIZE SUAS MILHAS!

Use o que você aprendeu aqui sobre stopovers e open jaws e a sua criatividade não terá mais limites (ou quase rsrs).

DICA VALIOSA: Se você tiver que comprar algum trecho com origem e destino no exterior (que geralmente são mais caros), faça isso usando um VPN (Virtual Private Network) e você conseguirá tarifas muito mais em conta. Clica aqui que eu te explico direitinho como se faz.

IMPORTANTE

Aqui no TripHacker eu tenho os meus Alertas Vermelhos, que são e-mails que eu mando pra vocês sempre que aparece uma super promoção, descontos ou algum bônus. Esses meus alertas são uma compilação dos “hot deals” mais interessantes pra gente aqui no Brasil, que eu pesquiso diariamente em dezenas de fontes como o The Flight Deal e o AirFareWatchDog.

Ou seja, eu faço o trabalho sujo de procurar agulha no palheiro dos gringos e já entrego todo o “filet mignon” para os brasileiros.

Pra receber os meus Alertas Vermelhos, basta você cadastrar seu e-mail. Assim, você nunca mais vai perder uma boa oportunidade de passagem aérea na vida.

Quando a oportunidade aparecer abrace-a sem medo de ser feliz.
Geralmente quando uma passagem para um destino está em promoção, é sinal que a demanda está baixa e a chance dos hotéis também estarem com preços atraentes é enorme.

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